Página principal: mudanças entre as edições
m Edição de texto |
|||
| Linha 170: | Linha 170: | ||
|} | |} | ||
=== | ==== Notas no caderno de viagem ==== | ||
{| class="wikitable" | {| class="wikitable" | ||
|- | |- | ||
| Linha 195: | Linha 189: | ||
Barra do Garças [Endereço do Peron?] | Barra do Garças [Endereço do Peron?] | ||
|} | |||
| | {| class="wikitable" | ||
| valign="top" |7/Abr, | | valign="top" |7/Abr, | ||
Simonato | Simonato | ||
| valign="top" |O trabalho fatigante que nos acompanha é recompensado pela notícia que a partir de amanhã teremos folga pelo fato de não haver mais arroz para secar. | | valign="top" |O trabalho fatigante que nos acompanha é recompensado pela notícia que a partir de amanhã teremos folga pelo fato de não haver mais arroz para secar. | ||
|- | |- | ||
| valign="top" |8/Abr, | | valign="top" |8/Abr, | ||
Simonato | Simonato | ||
| valign="top" | | | valign="top" |Quinta feira santa. | ||
Inesperadamente chegou mais uma carga de arroz para secar. Trabalhamos toda manhã para aprontar o arroz. | Inesperadamente chegou mais uma carga de arroz para secar. Trabalhamos toda manhã para aprontar o arroz. | ||
| Linha 213: | Linha 206: | ||
|- | |- | ||
| valign="top" |Delmar | | valign="top" |Delmar | ||
| valign="top" | | | valign="top" |Tínhamos em mente ir passar nosso feriado no ZEZE-40 mas isso se tornou inviável devido a distância. A tarde já não tínhamos mais o que fazer. Decidimos então arrumar um garrafão vazio para ir buscar canha junto com Bastião e os Saqueiros[?] no Rubens, um gerente de fazenda que possuía bastante cachaça. Sadol não contrariou, até nos levou de trator perto do lugar. | ||
Continuamos o caminho a pé e chegamos no tal lugar, uma cabana que parecia abandonada com uma égua amarrada num poste, esperamos alguns momentos quando Bastião falou: - Lá vem eles. Eram duas pessoas de estatura baixa, com caniços nas mãos de cuecas apenas. Nos cumprimentaram apertando a mão de cada um dos componentes do grupo. Nos convidaram para entrar e sentar. | Continuamos o caminho a pé e chegamos no tal lugar, uma cabana que parecia abandonada com uma égua amarrada num poste, esperamos alguns momentos quando Bastião falou: - Lá vem eles. Eram duas pessoas de estatura baixa, com caniços nas mãos de cuecas apenas. Nos cumprimentaram apertando a mão de cada um dos componentes do grupo. Nos convidaram para entrar e sentar. | ||
| Linha 225: | Linha 218: | ||
Para acabar com o incidente compramos carne e farinha de mandioca e fomos à casa do Bastião para dormir. Tomamos mais um pouco de cachaça e logo eu (Bica) peguei no sono, enquanto o Bastião e o Delmar comeram farofa com a cachaça. | Para acabar com o incidente compramos carne e farinha de mandioca e fomos à casa do Bastião para dormir. Tomamos mais um pouco de cachaça e logo eu (Bica) peguei no sono, enquanto o Bastião e o Delmar comeram farofa com a cachaça. | ||
|- | |- | ||
| valign="top" |9/Abr, | | valign="top" |9/Abr, | ||
Simonato | Simonato | ||
| valign="top" | | | valign="top" |Sexta feira santa. | ||
Acordamos pela | Acordamos pela manhã com um pouco de dor de cabeça, de ressaca. | ||
Pretendíamos voltar a fazenda com o Alfredo, que mora ao lado do Bastião, convidou-nos para ir visitar a fazenda de um tal "Meno". Aceitamos e fomos. Foi uma viagem de 90 km de buracos e baques, mas foi recompensada pelo almoço com peixes. Esta fazenda é a mais bem estruturada da região. O secador é abastecido por uma usina construída num córrego existente ali. | Pretendíamos voltar a fazenda com o Alfredo, que mora ao lado do Bastião, convidou-nos para ir visitar a fazenda de um tal "Meno". Aceitamos e fomos. Foi uma viagem de 90 km de buracos e baques, mas foi recompensada pelo almoço com peixes. Esta fazenda é a mais bem estruturada da região. O secador é abastecido por uma usina construída num córrego existente ali. | ||
A energia é fornecida a toda a fazenda, o secador tem comando eletrônico, 5 silos armazenam temporariamente o arroz. Este fazendeiro é o mais | A energia é fornecida a toda a fazenda, o secador tem comando eletrônico, 5 silos armazenam temporariamente o arroz. Este fazendeiro é o que mais tem "conforto". Possui uma horta, coisa que quase nenhum tem. Até ar-condicionado tem na casa. Tem também rádio amador. Possui o que existe de melhor de maquinário. | ||
Visitamos outras fazendas depois dessa e voltamos muito cansados. | Visitamos outras fazendas depois dessa e voltamos muito cansados. | ||
|- | |- | ||
| valign="top" |10/Abr, | | valign="top" |10/Abr, | ||
| Linha 250: | Linha 241: | ||
Todos comidos e bebidos, resolveram fazer um bailezinho no "Chapéu de Palha". Rolou mais cerveja e um pouco de dança. Terminada essa, sentamos ao lado de uma colhedeira [sic] na rua, acompanhados pelo Gordo para conversar, mas dormimos logo. | Todos comidos e bebidos, resolveram fazer um bailezinho no "Chapéu de Palha". Rolou mais cerveja e um pouco de dança. Terminada essa, sentamos ao lado de uma colhedeira [sic] na rua, acompanhados pelo Gordo para conversar, mas dormimos logo. | ||
|- | |- | ||
| valign="top" |Notas na | | valign="top" |Notas na margem | ||
| valign="top" |Delmar fica brabo com o fogo que não acende direito, ainda mais com a vontade de cagar. Foi ao mato e para se limpar usou o que tinha, o pano de prato. | | valign="top" |Delmar fica brabo com o fogo que não acende direito, ainda mais com a vontade de cagar. Foi ao mato e para se limpar usou o que tinha, o pano de prato. | ||
|- | |- | ||
| valign="top" |11/Abr, | | valign="top" |11/Abr, | ||
| Linha 260: | Linha 250: | ||
Voltamos à fazenda de manhã e à tarde trabalhamos, secagem de arroz. | Voltamos à fazenda de manhã e à tarde trabalhamos, secagem de arroz. | ||
|- | |- | ||
| valign="top" |14/Abr, | | valign="top" |14/Abr, | ||
| Linha 268: | Linha 257: | ||
| valign="top" |A noite foi chuvosa, nada de anormal, apenas um sono tranquilo até nosso chefe nos acordar às nove horas para dar comida aos porcos, arroz e quirela com casca. | | valign="top" |A noite foi chuvosa, nada de anormal, apenas um sono tranquilo até nosso chefe nos acordar às nove horas para dar comida aos porcos, arroz e quirela com casca. | ||
Feito isto tínhamos | Feito isto tínhamos que ajudar os saqueiros Zé dos Passos, Zé Guedes e Bastião a ensacarem o arroz. Perto do meio-dia Bica recebeu a incumbência de arrumar lenha para o fogão. O dia amanheceu e ainda continuava chovendo. | ||
Todos estávamos parados, sem serviço algum quando Zé dos Passos disse que tinha trazido uma garrafa de conhaque e um violão. | Todos estávamos parados, sem serviço algum quando Zé dos Passos disse que tinha trazido uma garrafa de conhaque e um violão. | ||
| Linha 276: | Linha 265: | ||
A atenção foi dada após termos tocado e cantado a última marca. A garrafa estava vazia e decidimos finalmente almoçar. | A atenção foi dada após termos tocado e cantado a última marca. A garrafa estava vazia e decidimos finalmente almoçar. | ||
|- | |- | ||
| valign="top" |Notas na | | valign="top" |Notas na margem | ||
| valign="top" |Jogo decisivo do Grêmio. | | valign="top" |Jogo decisivo do Grêmio. | ||
|- | |- | ||
| Linha 286: | Linha 275: | ||
Trabalhamos até as 16:00hs e depois escutar o jogo Grêmio e Flamengo, decisão da copa, que ficou adiada para o domingo devido ao empate 0x0. | Trabalhamos até as 16:00hs e depois escutar o jogo Grêmio e Flamengo, decisão da copa, que ficou adiada para o domingo devido ao empate 0x0. | ||
Jantamos e depois fomos deitar. | Jantamos e depois fomos deitar. | ||
Henrique e Sebastião, trabalhador da fazenda. | |||
|- | |- | ||
| valign="top" |Notas na | | valign="top" |Notas na margem | ||
| valign="top" |Alegria vem das tripas. (Zé dos Passos) | | valign="top" |Alegria vem das tripas. (Zé dos Passos) | ||
| | |} | ||
=== 3º Visitando a Ilha do Bananal === | |||
[[Arquivo:Percurso.png|miniaturadaimagem|https://www.google.com/maps/d/u/0/edit?mid=15uqjWybuO0]] | |||
| | {| class="wikitable" | ||
| valign="top" | | | valign="top" |28/abr, 5ª feira, 660 Km. | ||
| valign="top" |Saída da rodoviária de Barra do Garças às 5:00h e chegada a São Felix do Araguaia às 3:00h do dia seguinte. | |||
|} | |||
=== 4º Anotações diárias === | |||
=== 5º O retorno === | === 5º O retorno === | ||
Edição das 10h54min de 8 de junho de 2026
Três amigos no Mato Grosso em 1982
1º Na boleia de Mercedes-Benz 1113 e 2013

| 24/fev, 4ª feira, 470 Km. | Saída de Lajeado, almoço em Aratiba/RS, parada em Concórdia/SC, pouso em Porto União, divisa entre Santa Catarina e Paraná. |
| 25/fev, 5ª feira, 500 Km. | Pouso em Jaguariaíva/PR. |
| 26/fev, 6ª feira, 280 Km. | Almoço em Ocauçu/SP, pouso em Marília/SP. |
| 27/fev, sábado, 300 Km. | Pouso em São José do Rio Preto/SP. |
| 28/fev, domingo, 320 Km. | Pouso em Itumbiara/GO. |
| 1/mar, 2ª feira, 210 Km. | Chegada a Goiânia. |
Notas no caderno de viagem
| 24/fev, Delmar | - 5,5h Saída de Lageado [distrito de Tamanduá, hoje Marques de Souza].
-Almoço em Aratiba/RS. -Em Concórdia parada para comer milho e uva, compra de 1 g. de vinho rosê. -Parada em Porto União, divisa Paraná - Santa Catarina. Janta e noitada. -Fato importante: relacionamento com motoristas: regular. -Problemas mecânicos: não houve. - Obs.: demais observações a respeito do itinerário vide mapa rodoviário. -Paisagem linda, rios, árvores e plantações. -Primeira aula de caminhoneiro; bem aproveitada por parte dos leigos (alunos). -Noite fria e chuvosa. -Dia quente e ensolarado. -Nenhum dos três mosqueteiros [TM] ou três porquinhos [TP] reclamou de tudo que passou. |
| Na margem da página | Na noite faz muito frio.
Nota do dia: 5 Porto União, Paraná, Brasil |
| 25/fev, Delmar | -Noite tenebrosa em uma baiuca do posto; 3 onde dava pra dormir 1.
-Pela manhã, como não dormimos quase, acordamos sem muito esforço preparando um chimarrão. -Foi bom o aproveitamento da viagem, média 500km. -Parada para dormir em Jaguariaíva (PR) conhecemos excelente borracheiro. -Comida: Polenta car [carne?] e salada de batatas. -O trago corre solto em toda oportunidade. -Sem problemas mecânicos, apenas troca de pneus como precaução. -A saudade começa a nos afligir, aumenta a cada km. -2ª aula de caminhoneiro; sem muitas novidades. -Os 3 M. ou 3 P. continuam separados pois há dois caminhões, Bica vai com Beto (2013) e nós vamos com tio Lalá (1113). Nunca distanciando muito um do outro (2013, 1113) acompanhamos os momentos juntos. |
| Na margem da página | OBS. Todos os dados aqui contidos (dia) poderão sofrer alterações no dia seguinte. (Ouvindo a rádio Marília PT)
Nota do dia: 6 Jaguariaíva, norte do Paraná, Brasil |
| 26/fev, Delmar | -Com muito trago e sem balbúrdia continuamos viagem excelente já com um certo calor.
-Ao meio dia já em São Paulo, paramos para comer em Ocauçu (os mestres cucas Bica e Hique preparam o menu enquanto Delmar escreve e se prepara para comer e lavar a louça). -Paramos adiante no posto Japonês para troca de pneus, tomamos muita cerveja com um espanhol (senhor de 83 anos), conversamos muito sobre a Espanha e problemas políticos. -A noite paramos em um posto. Jantamos ovo e galinha acompanhado de muita cerveja, é claro. -Até chegar neste local passamos horas sobre uma chuva torrencial. -Encostaram os caminhões um ao lado do outro e colocamos as redes nas quais dormimos descentemente. -Já pela manhã o Delmar acordou, sendo o motivo o chimarrão oferecido pelo Henrique. |
| Na margem da página | Nota do dia: 7
Marília SP. |
| 27/fev, Delmar | -Saímos cedo de viagem com um clima muito bom para viajar. Sempre é claro acompanhado de um chimarrão.
-Estamos parados em São José do Rio Preto pois seu Hilário (Lalá) e Berto foram consertar o caminhão 1113 na cidade ou posto mais adiante. -Com calma esperamos ansiosamente até que voltem para seguirmos viagem. -Pela tarde muita corrida e buracos (São Paulo - Itumbiara). -A noite mais um pneu furado (Itumbiara). -Dormimos no local (borracharia, com som de compressor, esmeril e marreta). |
| Na margem da página | Nota do dia: 8 |
| 28/fev, Delmar | -Manhã tranquila, paramos em um lugarejo para comprar carne. Bica vai em um restaurante para comprar carne (restaurante Helena; lugar camuflado para as putas).
-Pela tardezinha já almoçados rumamos para Goiânia. -Em um bar em Goiânia encontramos 3 dirigentes do Goiânia que nos receberam muito bem, razão pela qual teriam no passado vindo ao Rio Grande e tido a reciprocidade igual. -Tomamos neste dia a decisão importante e oportuna de optar que não iríamos mais para Belém. -Esta decisão nos custou uma reunião de cúpula na hora do almoço acompanhados por "magros" cearenses ou baianos ou pernambucanos ou sei lá! O importante é que saímos e DECIDIMOS. Razão pela qual saímos do R. Grande. Uma decisão pessoal. INDIVIDUALIDADE! |
| Simonato | O velho Hilário, como aconteceu em toda viagem, deu uma baita força. Levou-nos da lanchonete até a rodoviária, depois de tentar uma carona até B.G. [Barra do Garças].
Algum tempo depois de separar-nos dele, ele voltou. Acompanhou-nos rapidamente num trago e foi embora. E nós, como não tínhamos nada para fazer até a chegada do ônibus, continuamos tomando trago e trovando sobre o pessoal de Sapucaia do Sul (RS), seus modismos imbecis e desejos e vontades não levados a cabo, apesar de terem o nosso primeiro exemplo. |
| Henrique | O Paim aqui na rodoviária insiste em tomar mais uma, e nós cede [sic], mas também, é a última.
Coitado do Peron, vai morrer de infarte, mas, piça, vamos morrer tudo junto. Todo mundo com lembranças do que ficou pra trás, lembranças boas e ruins, mas compensa. Tudo muito positivo, como na música da Rita que agora toca (Lero-lero), o que vier vem bem. Bastante otimismo, depois das frações de experiência que o velho Hilário nos transmitiu. Temos braços e pernas inteiros, só falta agora metê [?]. Toda expectativa pro encontro do Peronzinho com o Peronzão. Sei lá o que vai ser. Mas tenho certeza que vai ser o mais positivo possível, melhor do que esperávamos aqui em Goiânia. |
2º Aboletados nos coletivos, de Goiânia ao Paredão Grande/MT

| 1/mar, 2ª feira, 400 Km. | Saída da rodoviária de Goiânia às 19:30h, chegada a Barra do Garças às 5:30h da manhã de 3ª feira. |
| 2/mar, 3ª feira, 200 Km. | Saída da rodoviária de Barra do Garças às 20:30h e chegada ao Paredão Grande à 1:30h da 4ª feira, dia 3 de março. |
Notas no caderno de viagem
| 1/mar, Simonato | O ônibus partiu às 19:30 aqui de Goiânia, chegando às 5:30 em Barra, levando 10 horas para fazer um percurso de 400 km.
Chegando à Barra, esperamos o dia amanhecer para procurar o Peron. Enquanto isso tomamos uma cerveja e fomos para a ponte sobre o Araguaia. Amanheceu. Fomos ao hotel e soubemos que o Peron havia ido para uma fazenda a 200 km dali num local chamado "Paredão Grande". Como ele ia demorar algum tempo por lá, resolvemos ir ao seu encalço. Ainda pela manhã tomamos um banho no hotel, fomos dar uma volta pela cidade e voltamos para almoçar. Depois pegamos as tralhas e fomos à rodoviária. O ônibus saiu às 20:30hs da Barra e chegou ao Paredão à 1:30hs. Descemos numa escuridão total, sem enxergar nada. Armamos a barraca a beira da estrada e dormimos, sem saber ao certo nossa localização. |
| 2/mar, Henrique | Hotel e churrascaria Ipiranga
Av. Min. João Alberto, nº 8 78300 - MT Barra do Garças [Endereço do Peron?] |
| 7/Abr,
Simonato |
O trabalho fatigante que nos acompanha é recompensado pela notícia que a partir de amanhã teremos folga pelo fato de não haver mais arroz para secar. |
| 8/Abr,
Simonato |
Quinta feira santa.
Inesperadamente chegou mais uma carga de arroz para secar. Trabalhamos toda manhã para aprontar o arroz. Feito isso começamos (Bica e Delmar) a programar nosso descanso. |
| Delmar | Tínhamos em mente ir passar nosso feriado no ZEZE-40 mas isso se tornou inviável devido a distância. A tarde já não tínhamos mais o que fazer. Decidimos então arrumar um garrafão vazio para ir buscar canha junto com Bastião e os Saqueiros[?] no Rubens, um gerente de fazenda que possuía bastante cachaça. Sadol não contrariou, até nos levou de trator perto do lugar.
Continuamos o caminho a pé e chegamos no tal lugar, uma cabana que parecia abandonada com uma égua amarrada num poste, esperamos alguns momentos quando Bastião falou: - Lá vem eles. Eram duas pessoas de estatura baixa, com caniços nas mãos de cuecas apenas. Nos cumprimentaram apertando a mão de cada um dos componentes do grupo. Nos convidaram para entrar e sentar. Nos foi servida a bendita cachaça que pelo gosto não parecia ser boa, mas que pela ansiedade tomamos com tamanha vontade que nada reparamos. Ao fim de meia hora, já quase embriagados e com o garrafão cheio partimos rumo ao Paredão em meio riachos e mato a 3 km dali. Fomos cantando e sorrindo entre a mata. A lua cheia proporcionava-nos uma boa caminhada na estradinha pouco usada. De longe já avistávamos as luzes do vilarejo. |
| Simonato | Fomos diretamente ao bar do Vilson, tomamos algumas cervejas, e, como não estavam servido refeições, fomos jantar no Gonzaga. Tomamos mais cervejas (nós e o Bastião) acompanhados pela Ivone e o Alfredo, que foram embora antes de nós. Saímos da sala de jantar e fomos tomar mais cerveja no balcão. Quase arrumamos uma briga com um cara dali que pegou nosso cigarro e devolveu após muita reclamação. (Na noite seguinte este cara irá falar com o Delmar e reclamar de sua má sorte com a colheita e chorar).
Para acabar com o incidente compramos carne e farinha de mandioca e fomos à casa do Bastião para dormir. Tomamos mais um pouco de cachaça e logo eu (Bica) peguei no sono, enquanto o Bastião e o Delmar comeram farofa com a cachaça. |
| 9/Abr,
Simonato |
Sexta feira santa.
Acordamos pela manhã com um pouco de dor de cabeça, de ressaca. Pretendíamos voltar a fazenda com o Alfredo, que mora ao lado do Bastião, convidou-nos para ir visitar a fazenda de um tal "Meno". Aceitamos e fomos. Foi uma viagem de 90 km de buracos e baques, mas foi recompensada pelo almoço com peixes. Esta fazenda é a mais bem estruturada da região. O secador é abastecido por uma usina construída num córrego existente ali. A energia é fornecida a toda a fazenda, o secador tem comando eletrônico, 5 silos armazenam temporariamente o arroz. Este fazendeiro é o que mais tem "conforto". Possui uma horta, coisa que quase nenhum tem. Até ar-condicionado tem na casa. Tem também rádio amador. Possui o que existe de melhor de maquinário. Visitamos outras fazendas depois dessa e voltamos muito cansados. |
| 10/Abr,
Simonato |
Passamos o dia aqui no Paredão pois a noite aqui teve um churrasco.
A carne foi preparada por mim e o Delmar, em condições indignas para um gaúcho, mas ficou razoável. Todos comidos e bebidos, resolveram fazer um bailezinho no "Chapéu de Palha". Rolou mais cerveja e um pouco de dança. Terminada essa, sentamos ao lado de uma colhedeira [sic] na rua, acompanhados pelo Gordo para conversar, mas dormimos logo. |
| Notas na margem | Delmar fica brabo com o fogo que não acende direito, ainda mais com a vontade de cagar. Foi ao mato e para se limpar usou o que tinha, o pano de prato. |
| 11/Abr,
Simonato |
Hoje é Páscoa, ninguém fala nisso e passa despercebido.
Voltamos à fazenda de manhã e à tarde trabalhamos, secagem de arroz. |
| 14/Abr,
Delmar |
A noite foi chuvosa, nada de anormal, apenas um sono tranquilo até nosso chefe nos acordar às nove horas para dar comida aos porcos, arroz e quirela com casca.
Feito isto tínhamos que ajudar os saqueiros Zé dos Passos, Zé Guedes e Bastião a ensacarem o arroz. Perto do meio-dia Bica recebeu a incumbência de arrumar lenha para o fogão. O dia amanheceu e ainda continuava chovendo. Todos estávamos parados, sem serviço algum quando Zé dos Passos disse que tinha trazido uma garrafa de conhaque e um violão. Conquistamos sua vontade e assim podemos assistir umas modas de viola sertaneja debaixo da oficina de chão batido. Mostrou-se um exímio cantador, com dedilhados próprios e cantigas dos mais variados estilos, mas na maioria sertanejos. Bica gritou da casa dizendo que a comida estava pronta. A atenção foi dada após termos tocado e cantado a última marca. A garrafa estava vazia e decidimos finalmente almoçar. |
| Notas na margem | Jogo decisivo do Grêmio. |
| 21/Abr,
Simonato |
Feriado em todo Brasil, menos aqui.
Trabalhamos até as 16:00hs e depois escutar o jogo Grêmio e Flamengo, decisão da copa, que ficou adiada para o domingo devido ao empate 0x0. Jantamos e depois fomos deitar. Henrique e Sebastião, trabalhador da fazenda. |
| Notas na margem | Alegria vem das tripas. (Zé dos Passos) |
3º Visitando a Ilha do Bananal

| 28/abr, 5ª feira, 660 Km. | Saída da rodoviária de Barra do Garças às 5:00h e chegada a São Felix do Araguaia às 3:00h do dia seguinte. |
4º Anotações diárias
5º O retorno
| Simonato | De São Félix viajamos para Cuiabá. Fomos visitar os irmãos do Valmir, amigo de Esteio. Ficamos uma semana, dali fomos visitar outro irmão que morava na Várzea Grande e tinha um canil. Atravessamos a ponte sobre o rio Cuiabá, chamou atenção a quantidade e tamanho dos peixes à venda. Como o dinheiro estava escasso novamente, vendemos a barraca que o Henrique tinha emprestado.
Terminado este período começamos a volta para o sul. Indicados por alguém fomos até o posto da PRF na rodovia, onde com a ajuda de agentes conseguimos carona com ônibus da Eucatur que voltava vazio para o Paraná. Acho que demos um canivete para o motorista. Na rodoviária de Cascavel dividimos um “X” salada e embarcamos, na manhã seguinte descemos em Canoas, próximo ao avião. O último dinheiro foi suficiente apenas pra pagar a passagem da Real Rodovias e finalmente chegar em Sapucaia do Sul. |
| Delmar | No Paredão tinha terminado a colheita de arroz, decidimos voltar pra casa.
Nos despedimos do Henrique em Barra do Garças e decidimos, Beto e eu, continuar a viagem para aventurar por mais um pouco e até onde dava ($$). Estávamos com mais ou menos dois salários-mínimos cada um. Influenciados pelas conversas dos peões que trabalhavam conosco na fazenda compramos passagens para São Félix do Araguaia. Lembro de nos admirarmos que a vegetação começava a mudar bastante no trajeto, de serrado para mata densa. As vezes víamos grandes extensões de terra desmatada e já com gado. Isto se alternava e comentávamos como isto era chocante. Talvez um choque de realidade da presença predadora de nossa espécie, imaginando o cenário devastador para o futuro. No meio da viagem o ônibus parou de repente. Levantamos e olhando pelo para-brisa vimos um fusca parado na estrada de chão; não dava para ver a cor do carro pois havia um enxame de abelhas cobrindo todo o carro. O motorista pediu para fecharmos as janelas e com outra pessoa para lhe ajudar acenderam um tocha e foram afastando o enxame. Quando estava seguro saíram várias pessoas e uma senhora carregando algum bicho, galinha, gaiola de papagaio e umas sacolas. Disseram que o carro pifou e foram atacados pelo enxame. A viagem seguiu até São Félix do Araguaia. Chegando lá, começamos a nos ambientar quando vimos um barco Adventista partindo do pequeno porto em direção a Belém. Segundo nos informaram mais tarde este barco fazia esta viagem uma vez por mês para catequização e auxílio médico dos povos originais ribeirinhos. Lamentamos a perda desta oportunidade de estender nossa aventura pelo rio Araguaia. |